Mensagem aos leitores

Poucas vezes uma instituição pública enfrentou tantos desafios como o Judiciário potiguar no biênio que se encerra. Obrigação de ajustar suas contas e as despesas com pessoal, economizar recursos públicos e garantir a segurança de unidades judiciárias eram urgências a cumprir. Não hesitamos. Fizemos desde 2 de janeiro de 2015 o que era preciso. Reduzimos gastos com a folha, crescentes de forma exponencial nos últimos anos, congelamos gratificações e enxugamos em diversas áreas. Era toda uma conjuntura de responsabilidades que começou a ser cobrada pelos órgãos de controle externo, antes mesmo de nossa posse.

Com muito trabalho, enfrentando incompreensões internas e de fora, seguimos adiante. Movidos pelo que há de mais nobre na missão cumprida: o espírito público. Logo no primeiro ano, registramos uma economia significativa, superando uma centena de milhões de reais. Com ela, garantimos não só a construção do prédio sede, sonho de várias gerações de magistrados e servidores do Tribunal de Justiça. Somamos esta reserva de recursos ao que já havia sido poupado por administrações anteriores para este fim.

Batemos recordes em precatórios, pagando quase o dobro do biênio anterior. Contratamos 40 novos juízes, quase mil estagiários, abrindo espaço para a primeira experiência profissional de jovens que podem inclusive com esta bolsa custear suas faculdades. Investimos com o que há de melhor em equipamentos de monitoramento na segurança de fóruns e prédios da Justiça, na capital e no interior. E trabalhamos diuturnamente para deixarmos os gastos com pessoal dentro dos limites da Lei de Responsabilidade Fiscal, em um diálogo franco com o Tribunal de Contas e o Ministério Público.

Construímos um diálogo novo com a sociedade, sem omissão, deixando claro que os recursos do TJRN pertencem ao povo do Rio Grande do Norte. Combatemos o corporativismo em suas várias frentes, propusemos caminhos, colhemos ataques, interesses contrariados, porém nos inserimos como um poder que não se acovarda, que não vira as costas para a dor e o sofrimento da sociedade. Tivemos um contato constante com a imprensa, fiscal legítima da sociedade no dia a dia. Não queremos unanimidade, nem esperamos convergências gratuitas, somente o debate sobre o desenvolvimento deste Estado.

Nesta revista, com um projeto inovador, moderno e que numa mesma plataforma fala muitas linguagens, deixamos nossa marca, observando inclusive a diminuição de gastos com papel e fornecedores. Deixamos um documento para que as gerações atuais e posteriores a nossa possam avaliar, analisar, discutir e julgar esta gestão, que como disse no discurso de posse foi um ponto fora da curva, teve coragem de assumir mudanças e lançou sementes para o pensar sobre a gestão da coisa pública.

Desembargador Claudio Santos
Presidente do TJRN